Consumidor Cidadão. Por quê?

Porque as sociedades precisam de consumidores conscientes de seus direitos, mas também de suas obrigações. O uso livre e (nem sempre!) inofensivo das faculdades individuais voltadas para o exercício do consumo, bem como a relação que daí se estabelece com provedores de bens e serviços privados e públicos, deve ser protegido pelo estatuto legal (direitos do consumidor). Todavia, a reflexão sobre as escolhas e o ato de consumir deve ter como ponto de partida o reconhecimento da racionalidade limitada do homem e ser mediada pela avaliação dos impactos do gasto sobre as finanças da família, sobre a mobilização de recursos pela sociedade, enfim, sobre o bem-estar da coletividade. Nas sociedades de mercado contemporâneas, o ato de consumo, além do atendimento das necessidades e da mera fruição, é também exercício de cidadania. Este espaço foi criado, como um fórum aberto, para informar e discutir os diversos aspectos do consumo e para que cidadãos possam compartilhar suas experiências, positivas e negativas, no exercício do consumo, o que abrange não só a sua relação com fornecedores de bens e serviços, mas também a reflexão sobre a economia familiar, o consumo consciente e as regras de proteção ao consumidor.

João Bosco Machado

Não se julga suficiente que a lei garanta a cada cidadão o livre e inofensivo uso de suas faculdades para o seu próprio desenvolvimento físico, intelectual e moral. Exige-se, ao contrário, que espalhe diretamente sobre a nação o bem-estar, a educação e a moralidade.

Frederic Bastiat

Aprenda a identificar produtos piratas

Pirataria

 Preço muito barato e embalagens sem qualidade são algumas das características comuns de mercadorias falsas

 

A pirataria gera impactos negativos para o país. Além da evasão fiscal e dos prejuízos aos detentores de marcas e patentes, a comercialização desse tipo de produto pode colocar em risco a saúde do consumidor.

Em alguns casos, mesmo o consumidor atento é enganado pela sofisticação dos produtos piratas e acaba levando para casa um produto que não apenas não é original, como também pode ser contrabandeado. O importante é saber que nós, consumidores, somos um agente importante no combate à pirataria. É fundamental que desconfiemos de preços muito baratos, especialmente os que estão muito abaixo do valor médio do objeto. A diferença de preço ocorre porque, além de serem proibidos comercialmente, produtos falsos são feitos com materiais mais baratos e não cumprem com todos os critérios presentes nos produtos originais, muitas vezes comprometendo o prazo de validade da mercadoria e podendo trazer riscos à saúde e à segurança do consumidor.

Uma dica importante é conferir a embalagem e o manual de instruções do objetoGeralmente, os fabricantes de produtos piratas não tomam o cuidado no design da embalagem e do manual de instruções da mercadoria legítima, podendo deixar evidente que o item pode ser pirata. Um exemplo é a falta de qualidade na impressão e no tamanho da logomarca presente na caixa de determinado produto. Artigos piratas feitos na China, por exemplo, não costumam trazer manual e nem embalagem em português.

Testar o produto antes de comprá-lo é fundamental. Saber quais são os principais componentes e funcionalidades do produto autêntico ajuda a identificar um produto pirata. Algumas mercadorias falsas são denunciadas por não ter a mesma qualidade que as originais, como, por exemplo, a resolução de uma câmera fotográfica ou a costura do tecido de uma peça de vestuário.

Quando a compra de determinado produto é feita via internet é preciso redobrar a atenção com relação à originalidade e autenticidade. Se o objetivo é adquirir algum objeto por meio de plataformas de venda online o consumidor deve procurar saber se aquele site é seguro e pesquisar na internet as opiniões dos clientes do estabelecimento escolhido. Algumas marcas apresentam em seus sites quem são os revendedores autorizados.

Em sites que são intermediários entre vendedores e consumidores é mais comum encontrar produtos piratas. Nesse caso, é bom averiguar se as fotos do anúncio são realmente do objeto que está sendo vendido e como funcionam as políticas de devolução, caso o consumidor desista da compra. E lembre-se, no caso de compras online, o código de defesa do consumidor garante o direito à desistência da compra no prazo de até sete dias.

Fonte: Secretaria Nacional do Consumidor – Ministério da Justiça

Viés de otimismo: como ele afeta as nossas decisões de consumo e poupança?

ViesDeOtimismo

O Viés do Otimismo é a tendência a superestimar a probabilidade de eventos positivos e subestimar o risco de ocorrerem eventos negativos em nossa vida.

 

Quando nos projetamos no futuro, temos uma maior tendência a acreditar que seremos ricos e saudáveis do que a pensar que podemos sofrer um acidente, contrair uma doença ou perder o emprego.

Esse viés nos faz acreditar que nosso futuro será melhor do que o passado e que somos mais sortudos do que os outros. Isso faz com que o fumante ache que nunca irá contrair um câncer de pulmão ou que o praticante de esportes radicais pense que sua chance de sofrer uma lesão é pequena, ainda que ambos conheçam bem as estatísticas.

O lado perigoso desse viés é que ele nos faz subestimar os riscos, ainda que amplamente conhecidos, e deixar de adotar comportamentos preventivos, tais como não beber antes de dirigir, usar equipamento de proteção, adotar métodos contraceptivos, etc.

A única coisa que sabemos sobre imprevistos é que eles acontecem de tempos em tempos. Ainda assim, há quem assuma obrigações de pagamento que comprometem toda a sua renda, sem levar em conta o risco de adversidades.  Ao agir desse modo, a pessoa pode, inadvertidamente, estar colocando a si mesma e quem dela depende em situação de fragilidade financeira.

Além disso, o otimismo exagerado em relação ao futuro pode prejudicar nossos planos para a aposentadoria, já que nos faz poupar menos (ou nada) e confiar excessivamente em determinadas suposições que mais tarde podem não se mostrar verdadeiras.

Isso inclui achar que nossas despesas permanecerão no mesmo padrão do presente, que o valor recebido da previdência oficial será suficiente para cobri-las ou que não há possibilidade de o fundo de pensão para o qual contribuímos durante toda nossa vida produtiva enfrentar problemas ou até quebrar.

No mundo financeiro, os riscos são uma preocupação permanente, tanto que há inúmeros produtos criados para minimizá-los, alguns com alto grau de sofisticação. No entanto, há providências que qualquer um pode tomar para se proteger de eventos inesperados, bastando que vença o excesso de otimismo e se conscientize de que problemas podem acontecer a qualquer momento e a qualquer pessoa – incluindo nós mesmos.

Nesse sentido, uma das principais ações a pôr em prática é formar uma reserva de emergência para usar em caso de um evento urgente e inesperado. Isso é feito separando um valor por mês em uma aplicação de baixo risco e alta liquidez, pois já que ela serve para cobrir riscos, tem que estar mais protegida do que qualquer outra quantia e, como é destinada a emergências, deve estar disponível a qualquer momento. O tamanho da reserva varia para cada pessoa, mas geralmente se recomenda guardar entre seis e doze vezes o valor das despesas mensais.

Outro procedimento recomendável é a contratação de seguros. Para tanto, é preciso verificar as coisas e pessoas que mais precisam de nossa proteção. Por exemplo, se há pessoas que dependam de nossa renda, o seguro de vida pode vir em primeiro lugar; se utilizamos muito o automóvel e não temos condições de comprar outro em caso de acidente/roubo, protegê-lo pode ser de grande importância. Tendo identificado nossas prioridades, temos que decidir um valor a ser contratado que seja suficiente para repor os bens ou cobrir as despesas, levando em conta nossa capacidade de pagamento.

No que se refere à aposentadoria, o raciocínio é diferente do da reserva financeira, pois o valor a ser guardado não se destina a cobrir imprevistos e sim nossas futuras despesas mensais, as quais é razoável supor que aumentem com o tempo, devido às exigências da idade madura. Portanto, como se trata de um investimento de longo prazo, é possível abrir mão da liquidez em prol da rentabilidade, sendo desejável uma aplicação que proporcione um ganho real acima da inflação para compensar o futuro aumento de gastos.

Em resumo, para contornar o Viés do Otimismo é preciso esperar o melhor, mas se preparar para o pior. Tendo isso em mente, é também aconselhável:

  • tomar cuidado com expectativas de altíssima rentabilidade, pois além de rentabilidade e risco andarem juntos, promessas de rentabilidade muito acima do mercado muitas vezes estão associadas a fraude;
  • pesquisar sobre a idoneidade do intermediário junto aos órgãos reguladores e de defesa do consumidor, além de desconfiar caso encontre algum empecilho na hora de fazer resgates;
  • procurar informações sobre a saúde financeira da companhia que emitiu o papel, nos investimentos em que há o risco de o emissor não conseguir honrar a dívida;
  • na escolha do investimento, considerar se há proteção do Fundo Garantidor de Crédito, se há registro na CETIP ou na CBLC e outras garantias; e
  • acompanhar de perto a gestão e a rentabilidade dos recursos destinados à aposentadoria, a fim de garantir que realmente estarão disponíveis e que serão suficientes quando precisar deles.

 

Fonte: Comissão de Valores Mobiliários (CVM); texto extraído do Blog “Penso, logo invisto”. 

Semelhanças e diferenças entre instituições que oferecem educação financeira no Brasil

 

Educação Financeira

Entre 2013 e 2018, houve um crescimento de cerca de 70% do número de instituições que oferecem educação financeira no Brasil 

 

No Brasil, a Educação Financeira (EF) tem sido pauta recorrente nos espaços de discussão promovidos pelos atores sociais. Isso porque enquanto que para as famílias, a EF cumpre o papel de evitar que tomem decisões prejudiciais a seus interesses e comprometam no longo prazo sua qualidade de vida; para organizações e empresas, sobretudo as de micro e pequeno porte, garante a sustentabilidade do negócio.

Nesse sentido, a EF tornou-se tema de política de Estado no Brasil quando houve a criação da Estratégia Nacional de Educação Financeira (ENEF), em 2010. O objetivo era unir esforços de instituições privadas, públicas e da sociedade civil para potencializar o alcance de iniciativas realizadas nesse âmbito, tornando-as coordenadas e direcionadas a públicos específicos. Para tanto, foi necessário eleger um comitê articulador e promotor de debates e políticas de incentivo à educação financeira. Foi criado o Comitê Nacional de Educação Financeira que reunia instituições reguladoras do sistema financeiro como o Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários.

Entre as primeiras políticas, iniciou-se o trabalho de mapear as instituições que vêm se dedicando parcial ou integralmente ao tema através de um questionário digital e posto em circulação publicamente a nível nacional. O primeiro mapeamento, realizado em 2013, trouxe contribuições interessantes para entender o cenário da educação financeira no país e apontar para desdobramentos e oportunidades. Já o segundo mapeamento, com mais instituições respondentes e com resultados recém divulgados em maio de 2018, lançou luzes sobre a evolução das iniciativas em termos do perfil das instituições e público-alvo atendido. A seguir, serão expostos os principais resultados de ambos os mapeamentos.

Os dados mostram crescimento das instituições ofertantes na ordem de 70%. Em relação à fonte de recursos financeiros e canais de distribuição, houve maior utilização de recursos públicos e maior uso de canais presenciais (aulas expositivas, seminários, palestras, encontros, cursos de curta duração, concursos e prêmios) em detrimento dos digitais (site, blog, youtube, webserie, redes sociais, mensagens e contato telefônicos, aplicativos, softwares e games). Quando se avalia a participação de ofertantes nas modalidades pessoa física ou jurídica, tem-se que, em 2018, 78% das iniciativas são feitas por pessoas jurídicas (PJ) e 22% por pessoas físicas (PF).

Avaliando as instituições separadamente, observa-se que se manteve constante a participação relativa na oferta de entidades do terceiro setor, sendo a maioria focada no segmento de serviços (ITS-Serviços). A participação das instituições privadas caiu pela metade e a maioria pertence ao setor de serviços (IPR-Serviços). O destaque foi o maior número de instituições públicas concentradas no segmento de Educação (IPU-Educação). Um olhar atento para esses segmentos revela semelhanças e diferenças úteis no que se refere aos recursos mobilizados, as estratégias adotadas, ao tipo de ambiente (institucional e competitivo) e ao público-alvo atendido.

O segmento ITS-Serviços é composto por associações e institutos que atendem a públicos vulneráveis socialmente: de nível de escolaridade e renda baixos. As iniciativas desse segmento possuem o objetivo de formar os beneficiários associados à cadeia de valor. O ambiente cooperativo favorece a adoção de estratégias específicas para captação de recursos financeiros (por exemplo, a prática de negócios inclusivos) e tecnológicos (uso mais ou menos intensivo de ferramentas tecnológicas). As competências das instituições referem-se à capacidade de ofertar iniciativas de temas variados (tais como consumo, crédito e seguros) e à gestão administrativa de institutos que são regidos pela lei do terceiro setor. As instituições desse segmento também aprenderam a fazer avaliações de impacto com o objetivo de justificar o emprego dos recursos.

O segmento de IPR-Serviços é formado por instituições do setor financeiro que operam sob concorrência e possuem o objetivo de qualificar os mercados de atuação, o que as fazem ser orientadas ao mercado de jovens e adultos, com acesso a serviços financeiros e nível de renda a partir de 1 salário mínimo. Para esse segmento, é fundamental realizar investimentos em tecnologia para diversificação de produtos e posicionar-se nos canais digitais. Possui maior preocupação na avaliação de resultados percebidos e é dotado de maior diversidade de recursos, com destaque para os de natureza tecnológica e “reputacionais” (mensurado pelo nível de visibilidade perante o mercado).

As instituições do segmento IPU-Educação são escolas públicas que seguem a filosofia da ENEF e têm o objetivo de sensibilizar os alunos para temas de cidadania e planejamento de longo prazo. Em geral, são alunos de baixa renda (1 a 3 salários mínimos), do ensino fundamental e sem acesso a serviços financeiros. As instituições desse segmento possuem capacitações de escola – elaboração de atividades pedagógicas e formação continuada dos professores -, além de terem os recursos humanos e institucionais (incentivos governamentais) como os principais propulsores das atividades. Possuem dificuldade para mensurar os resultados por conta da ausência de recursos. São pouco intensivas em recursos tecnológicos e “reputacionais”. São instituições que possuem iniciativas em conjunto com outras por atuarem em redes de escolas municipais e estaduais e precisam driblar a falta de recursos financeiros.

Da descrição acima, percebe-se que as instituições possuem pontos fortes e fracos. ITS-Serviços aprendeu a desenvolver estratégias de captação e a fazer avaliação de impacto; todavia, o conjunto de recursos mobilizados é pouco diversificado. IPU-Educação recebe apoio dos governos federal, estadual e municipal, e é intensivo em recursos humanos, com dificuldades para aplicar avaliações de impacto consistentes. E IPR-Serviços possui forte capacidade de investir em novas tecnologias e posicionar-se nos meios digitais, no entanto, carece de recursos institucionais.

A partir dessas constatações, espera-se que os segmentos façam uso dos pontos fortes para aproveitar oportunidades e vencer os pontos fracos. A título de exemplo, é importante que IPU-Educação aproveite os recursos humanos – intensivos em conhecimentos pedagógicos – para aprimorar o processo educacional, criando conteúdo e métodos de avaliação de impacto mais eficazes. Além disso, a atuação conjunta dos segmentos pode ser benéfica para as instituições e mercados atendidos em função do compartilhamento de aprendizagens organizacionais (relativas ao produto, a métodos de avaliação, à comunicação com o beneficiário, dentre outros).

Como próximos caminhos de investigação, sugerem-se a busca por informações específicas sobre os recursos mobilizados e a descrição aprofundada de estratégias organizacionais a partir de entrevistas com os gestores. Sabe-se que há ainda vários e extensos caminhos para investigar a forma como a educação financeira vem sendo feita no Brasil, mas há também a certeza de que, com os mapeamentos nacionais, passos valiosos foram dados nessa direção.

Wallace de Anchieta Marques

 

Fonte original: “Semelhanças e Diferenças entre Instituições que Oferecem Educação Financeira no Brasil”. Trabalho de Conclusão de Curso realizado por Wallace de Anchieta Marques para obtenção do grau de bacharelado pelo Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IE-UFRJ).

Fontes para elaboração do texto: Entrevistas com os gestores Sr Carlos Batalha, diretor da Escola de Educação Financeira do Rioprevidência e Sr Thiago Alonso, coordenador de educação financeira, da CVM; Bases de microdados do 1º e 2º mapeamentos nacionais de Educação Financeira no Brasil e Pesquisa nos sites das instituições mapeadas.

Número recorde de pessoas inadimplentes no Brasil

 

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Total de pessoas com contas atrasadas atingiu 63,4 milhões, montante que representa 62% da população economicamente ativa (PEA*)

 

Nunca o país teve tantos inadimplentes. Em julho, o total de brasileiros com dívidas em atraso chegou a 63,4 milhões, segundo o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC). O número é preocupante, porque a série histórica mostrava uma melhora na inadimplência de março a setembro de 2017. No entanto, a reversão das expectativas da economia brasileira afetou essa trajetória.

Outra pesquisa recente, patrocinada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), mostra que os mais pobres ainda são os que mais devem (cerca de 1/4 das famílias), mas é entre as famílias de maior renda que a inadimplência não apresenta sinais de reversão.

A parcela de famílias de menor renda com dívidas pendentes caiu quase 10%,  de 29%, em julho de 2017, para 26,7% em julho de 2018. No grupo com renda superior a dez salários mínimos, o índice de inadimplentes alcançou 10,8%, ante 10,6% do mesmo mês do ano passado. O que diferencia os dois grupos são as condições de acesso ao crédito: as famílias de classe de renda mais alta dispõem de mais facilidade para tomar empréstimos por períodos mais longos e com taxas de juros mais baixas quando comparadas com as famílias de renda mais baixa.

(*) a população economicamente ativa (PEA) representa a força de trabalho do país, que é formada pelo contingente de pessoas ocupadas e desocupadas.

Fonte: SPC e CNC

Novos direitos do cidadão no atendimento realizado pela administração pública

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Nova lei estabelece normas básicas para participação, proteção e defesa dos direitos do usuário dos serviços públicos prestados direta ou indiretamente pela administração pública

 

Os direitos básicos do cidadão na sua relação com a administração pública estão definidos pela Lei no. 13.460/2017. A Lei passou a vigorar a partir do dia 27 de julho de 2018 em todos os municípios com população superior a 500 mil habitantes. 540 dias e 720 depois de  sua aprovação passará a vigorar também em municípios que tenham, respectivamente, entre 100 e 500 mil habitantes e, em seguida, em todos os demais municípios.

Quais são as principais regras e os direitos do cidadão que buscam atendimento junto aos serviços públicos? Confira abaixo.

  • os horários de funcionamento das repartições devem estar expostos em lugar de fácil visualização, assim como o valor de eventuais taxas cobradas pela execução de serviços e respectivos prazos para cumprimento dos mesmos;
  • serão definidos os padrões de prestação dos serviços como, por exemplo: (i) requisitos e documentos para acessar o serviço; (ii) prazo máximo para cumprimento; (iii) prioridades de atendimento; (iv) previsão de tempo de espera para o atendimento; e (v) mecanismos de consulta a respeito do andamento do serviço;
  • garantia de liberdade de escolha entre os meios oferecidos para o atendimento, e sem discriminação;  (ou seja, se o serviço é oferecido presencialmente ou por telefone, o usuário não pode ser constrangido a fazê-lo virtualmente, algo relevante para parcela da terceira idade ou para os excluídos digitalmente);
  • está garantida a proteção das informações pessoais;
  • a presunção de boa fé, ou seja, o servidor público ou atendente deverá confiar na informação fornecida pelo cidadão;
  • atuação integrada e sistêmica (por todos os órgãos do governo) na expedição de atestados, certidões e documentos comprobatórios de regularidade;
  • a eliminação de formalidades e aplicação de soluções tecnológicas que facilitem o atendimento ao cidadão;
  • a proibição da exigência por parte do servidor de nova prova de documento já apresentado pelo cidadão;
  • o servidor deve autenticador ele mesmo os documentos originais apresentados pelo cidadão, ou seja, não é mais necessária a autenticação de documentos em cartório, uma vez que o servidor tem fé pública e, portanto, pode atestar a autenticidade de documentos;
  • as Ouvidorias dos órgãos públicos dispõem agora de um prazo máximo de 30 dias para responder às reclamações ou demandas do cidadão, podendo prorrogar esse prazo por igual período apenas uma vez;
  • todos os órgãos ou repartições públicas serão obrigados a criar um Conselho de Usuários que participarão da avaliação dos seus serviços;
  • o cidadão terá um canal físico ou eletrônico disponibilizado pela Ouvidoria Geral da União onde poderá apresentar solicitação ou sugestão de simplificação ou melhoria do serviço público.

 

 

 

Nada que um banho de loja não cure

Banho de Loja

A  neurocientista Suzana Herculano-Houzel nos explica porque todos os caminhos levam ao sistema de recompensa

Quando há recompensa há sempre uma boa chance de o cérebro querer mais. E quando se quer mais, há sempre uma boa chance de o desejo virar compulsão. Onde está a diferença?

A palavra “vício” costumava ser aplicada somente a casos de dependência de substâncias externas ao corpo – drogas, em outras palavras. Só que está ficando cada vez mais claro que a “dependência caracterizada por desejo obsessivo, tolerância aumentada e síndrome de abstinência”, que definem tradicionalmente o vício, também acontece em outros casos, e nem sempre há uma substância química para receber a culpa. Às vezes, a dependência é de uma situação, ou de uma simples ação.

Exemplos não faltam. É o caso do jogador, quase sempre homem, que não consegue se afastar da mesa do cassino ou carteado a dinheiro. Também eles experimentam compulsão, tolerância ao jogo, sendo necessário fazer apostas cada vez maiores, síndrome de abstinência, com suores, irritabilidade e insônia, e alto risco de recaída, mesmo após anos sem jogar. É também o caso de comedores compulsivos e bulímicos. Ambos têm uma taxa de recaída muito elevada após tratamento, e são dificílimos de tratar após muitos anos de comer, comer, comer e vomitar, vomitar, vomitar. E também é o caso, acredite, de pessoas, geralmente mulheres, que entram em surtos periódicos de compras. Como a droga e a bulimia, um dia de loucura no shopping costuma ser precedido de ansiedade e depressão – e depois do barato, passageiro, tudo volta, e ainda acrescido de culpa.

Tudo isso é vício? Perfeitamente, segundo a noção de que o que caracteriza a dependência é uma alteração do sistema de recompensa do cérebro, fazendo com que a pessoa “perca o controle”, de modo que seu comportamento passa a orbitar ao redor da razão principal de ativação do sistema. Drogas psicotrópicas, que agem diretamente sobre o sistema ativando-o a um nível de outro modo não alcançado com prazeres “de dentro”, são naturalmente as culpadas número um do desequilíbrio do sistema, que se defende tornado-se cada vez menos sensível – até chegar a um ponto em que as atividades antes prazerosas já não trazem recompensa alguma. E a própria droga passa a ser cada vez menos eficaz. A essa altura, só mesmo ainda mais droga, e cada vez mais droga, para provocar prazer: está instalado o círculo vicioso.

Mas por que nem todo mundo fica viciado em jogo, come ou corre compulsivamente? Talvez isso só aconteça quando o sistema de recompensa fica propenso ao desequilíbrio, naquelas pessoas predispostas ao vício por natureza ou pressão social. O estímulo que dispara o problema, afinal – dinheiro, comida, ou algumas miligramas de álcool -, é aparentemente inofensivo para a maioria das pessoas.

Ou talvez todos sejam sim, viciados, cada um a sua maneira, uns mais, outros menos. Na verdade, tudo o que concerne às necessidades ditas normais de sexo, dinheiro, rock´n´roll e chocolate não deixa de ser “vício”. (…)  A insônia, a ansiedade e o pensamento obsessivo de um episódio de abstinência certamente virão rondá-lo se você ficar de barriga ou bolso vazios tempos demais. A razão? Sexo, música, comida, e tudo o que o dinheiro representa são os estímulos naturais do sistema de recompensa do cérebro, cuja função é justamente garantir que você voltará uma segunda vez. E você certamente volta. A diferença é que , como a ativação “vem de dentro” e, portanto, não ultrapassa os limites naturais do sistema, a mesma quantidade basta a cada vez. Assim você pode passar o resto do tempo cuidando de sua vida, e não procurando mais, mais, mais até o seu dia inteiro se resumir a isso. E se os seus hábitos não perturbam você nem ninguém – e, sobretudo,  se todos os seus vizinhos têm os mesmos hábitos que você -, ninguém vai se preocupar em chamar isso de vício.

Ao contrário, esses são chamados de prazeres. Ganhar dinheiro, por exemplo, atividade que ocupa a maioria das pessoas boa parte do dia, certamente é uma delícia. além de ativar o sistema de recompensa, é um excelente remédio contra o estresse. E convenhamos, poder gastar também é bom, e não só paras as consumidores compulsivas. Um banho de loja em boa hora faz um bem danado a qualquer um…

Fonte: texto extraído do livro de Suzana Herculano-Houzel, “Sexo, drogas, rock´n´roll… & chocolate – o cérebro e os prazeres da vida cotidiana”. 

A epidemia do superendividamento

Endividamento

Cerca de 60 milhões de brasileiros estão endividados e, desse total, 30 milhões estão superendividados. Esse é o quadro revelado pelas pesquisas de 2018 da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas e do SPC- Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito).

 

Existem dois perfis de superendividados: o ativo e o passivo. O primeiro é aquele consumidor que consome além das possibilidades de seu orçamento. Já o segundo, a causa do seu endividamento excessivo são imprevistos da vida, como desemprego, redução de salários, separação, doenças, nascimento de filhos, etc.

Não é preciso estar com o “nome sujo” para ser considerado um superendividado. Na verdade, muitos que se encontram nessa situação são bons pagadores, mesmo possuindo sua renda mensal quase ou totalmente comprometida. Isso porque pedem empréstimos e usufruem de outras linhas de créditos para não ficar inadimplentes.

Mais do que um descontrole financeiro, o superendividamento é um problema do sistema bancário e de crédito. Um cenário que combina oferta de crédito com juros altos, publicidade abusiva, ausência de educação financeira e de políticas públicas efetivas.

Especialistas no tema consideram duas alternativas para reduzir o superendividamento no Brasil. A primeira é a promoção de educação financeira. Essa iniciativa pode gerar a conscientização da população sobre suas economias para, assim, poder gerir da melhor forma suas vidas financeiras.

Há cinco anos, o Comitê Nacional de Educação Financeira vem tentando mudar o cenário de endividamento realizando em todo o País ações como a Semana Nacional de Educação Financeira. O evento é composto por palestras e oficinas sobre orçamento doméstico, uso de crédito, renegociação de dívidas, formas de investimento, direitos do consumidor em serviços bancários, entre outros temas.

Outra iniciativa apoiada por especialistas é a aprovação do Projeto de Lei nº 3.515 de 2015, que tem como objetivo alterar o Código de Defesa do Consumidor a fim de criar regras para o sistema de oferta de crédito e criar métodos de prevenção e tratamento do superendividamento. A proposta já foi aceita pelo Senado, mas está empacada na Câmara há 3 anos.

 É possível sair do superendividamento?

Há algumas maneiras de sair da bola de neve:

  1. Se planeje. Conhecendo a sua renda familiar, seus gastos essenciais (luz, água, gás, aluguel) e suas despesas extras é mais fácil identificar onde é possível cortar custos.
  2. Evite parcelamentos. Adquira o hábito de comprar tudo à vista e reserve um dinheiro para gastar naquele mês. Dessa forma, você poderá acompanhar mais de perto quanto sai da sua conta e quando é a hora de parar de comprar. Além disso, você pode fazer uma reserva financeira com o que sobrar. Assim, você poderá utilizar recursos próprios para acabar com a dívida.
  3. Procure ajuda. Antes mesmo de a dívida explodir, busque auxílio de órgãos de defesa do consumidor, como o Procon de seu município. Lá, eles poderão analisar o seu caso e te orientar as melhores formas de sair do endividamento.
  4. Não assuma qualquer acordo. Mesmo sendo uma ótima alternativa, é recomendável que analise com calma a proposta que o banco te oferece. Analise a sua planilha de orçamento, veja se as taxas de juros são menores e mais vantajosas e evite acordos que aumentam o parcelamento da dívida.
  5. Fuja de novos empréstimos. Novos créditos podem fazer sua dívida aumentar.

 

Assista abaixo, o documentário “No Caminho do Superendividamento”, realizado pelo Idec e produzido pelo Coletivo Bodoque. O filme conta a história de Rubens Adorno, um professor universitário que tem mais de 120% de sua renda mensal comprometida com o pagamento de créditos bancários em quatro bancos, e não tinha dívidas em atraso. Além de acompanhar a saga do personagem para melhorar sua situação financeira, o curta-metragem traz análises de especialistas sobre alternativas para encerrar o ciclo de dívidas.

 

 

Fonte: IDEC