Consumo inteligente de pilhas: economize dinheiro e reduza o impacto ambiental

PilhasVerdes

A pilha é um dispositivo que converte energia química em energia elétrica. As pilhas  do tipo alcalina  e seca (carbono-zinco), de 1,5 V, por exemplo, são as mais conhecidas e utilizadas em uma ampla gama de equipamentos (rádios, controles remotos, relógios de parede e despertadores, brinquedos, etc). As pilhas são apresentadas em diversos tamanhos: AAA (palito), AA (pequena), C (média) e D (grande).

Primeira dica: se comparada à pilha seca comum, a alcalina é um pouco mais cara, pois mantém a voltagem constante por mais tempo e chega a durar, em média, cinco vezes mais. Portanto, dificilmente será vantajoso para o consumidor adquirir uma pilha comum, pois ela teria de custar, em média, 1/5 do preço da pilha alcalina para compensar a sua menor vida útil. Não se deixe também impressionar por denominações como “plus”, “ultra” ou “super”.  Tratam-se de designações atribuídas pelos fabricantes às pilhas que supostamente “duram” mais tempo, mas estas denominações não informam o tipo de pilha e tampouco estão relacionadas com a sua durabilidade. Quando for comprá-las, esteja basicamente atento ao fato de as pilhas serem comuns ou alcalinas.

Em 2012, o INMETRO disponibilizou para o consumidor brasileiro os resultados de ensaios realizados em amostras de pilhas referentes ao seu Programa de Análise de Produto, coordenado pela Diretoria de Avaliação de Conformidade. Os resultados do ensaio estão disponíveis na página de “Informação ao Consumidor” do INMETRO.

Embora não descrito na norma do produto, o INMETRO realizou um Ensaio de Duração Máxima, com o intuito de simular o uso contínuo em brinquedos, estabelecendo comparativamente a durabilidade máxima apresentada pelas pilhas de diversos fabricantes, de modo a favorecer a escolha do consumidor. Como esta é a forma de utilização que, em geral, gera maior consumo do produto pelas famílias, ela constitui uma boa referência para orientar a escolha da marca mais vantajosa pelo consumidor.

Os resultados do teste estão apresentados no gráfico abaixo.

Tempo de Duração (em minutos) das Principais Marcadas de Baterias Comercializadas no Mercado Brasileiro

Pilhas

Segunda dica: a duração média da pilha é apenas um dos parâmetros que o consumidor deve levar em conta ao fazer a escolha do produto. Infelizmente, os fabricantes não disponibilizam na embalagem o tempo médio de duração das pilhas. Pela norma vigente no Brasil, eles são obrigados apenas a discriminar a data de fabricação e o prazo de validade do produto. Para escolher a pilha com a melhor relação custo benefício, os consumidores deveriam calcular o custo por minuto de duração, utilizando como referência o tempo de duração discriminado no gráfico acima. Como o preço das pilhas varia muito segundo a marca e o local de revenda, a vida do consumidor não é fácil. De toda forma, evite cair na armadilha da propaganda que promete uma pilha que “dura (até!!!) oito vezes mais”. Este produto não existe: a vida útil da pilha em questão, que é a referência (top mind) de mercado, é cerca de 10% menor, quando comparada com a da pilha de melhor desempenho e o seu preço tende a ser o mais elevado do mercado.

Terceira dica: substitua aos poucos as suas pilhas normais por pilhas recarregáveis (de níquel hidreto metálico – Ni-MH). Embora elas custem hoje cerca de duas a três vezes o preço de uma pilha descartável, elas ficam muito baratas (muito baratas, mesmo!) a médio e longo prazo. Você precisará investir cerca de R$50,00 no carregador, mas a maioria das pilhas recarregáveis disponíveis hoje no mercado já anuncia um tempo de vida entre 800 e 1.000 recargas. Além disso, as pilhas comuns foram desenvolvidas para equipamentos que consomem energia lentamente, o que não é o caso de equipamentos eletrônicos mais modernos, como controles de videogames, câmeras digitais e aparelhos GPS. Uma pilha recarregável foi desenvolvida para estas necessidades e, por isso, consegue armazenar muito mais energia para operar por mais tempo. Portanto, dependendo das condições de uso, a carga de uma pilha recarregável pode durar de 2 a 4 vezes mais que uma pilha alcalina de boa qualidade. Se considerarmos ainda que este tipo de pilha pode, como constatamos, ser recarregada até 1.000 vezes, veremos que uma única pilha deste tipo equivale a até 4.000 pilhas comuns.  Trata-se, portanto, de uma escolha que não só é economicamente racional como “ecologicamente mais correta”. Qualquer tipo de pilha, recarregável ou não, contém elementos químicos, que se descartados de forma incorreta, são nocivos ao meio-ambiente e, por isso, não deve ser tratada como lixo, e sim reciclada. Ou seja, em termos ambientais, o uso de uma única pilha recarregável elimina a necessidade de reciclagem de milhares de pilhas comuns.

João Bosco Machado